Mostrando postagens com marcador Mariana Schmitz. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mariana Schmitz. Mostrar todas as postagens
2 comentários

REENCONTRO



A Oficina da Poesia em Cena é um grupo formado por três pessoas que desenvolvem projetos em constante colaboração. Sempre que possivel, fazemos participações especiais nos projetos pedagogicos um do outro. Foi o que aconteceu nos dois ultimos sabados, quando realizamos uma oficina com o PROCURANDO O RISO, um dos grupos extracurriculares coordenados pela Nara, la no Rio Vermelho. Além desse, existem mais três grupos de alunos em oficina extracurricular sob a tutela dela! Fora as turmas curriculares! O virus do Teatro contaminou de vez a Escola Municipal do Rio Vermelho, podem acreditar!
Nesses dois sabados (como seria bom ter tido mais encontros!) realizamos uma serie de exercicios e conversas sobre a relação movimento/gesto/ação. A intenção foi destacar a importância da consciência corporal e da precisão de movimento na performance dos alunos-atores. Pensamos e aplicamos uma grande sequência de improvisações que, sempre começando individuais, passando pelas duplas e/ou trios, eram concluidas no grande grupo. Elas desafiavam os alunos a repensarem na pratica do movimento, o que é ação. O foco foi do inicio ao fim a observação e o cuidado em relação a todos os movimentos realizados para se demonstrar uma atividade em cena. A cada improvisação, a avaliação tinha o objetivo de esclarecer pouco a pouco a diferença entre MOVIMENTO, GESTO, ATIVIDADE e AçÃO. Antes de qualquer personagem ou narrativa, é preciso que o ator saiba realizar atividade cênicamente e é necessario que tais atividades sejam criveis e claras. A partir dai, podemos pensar em intenções e como elas afetam a realização das atividades, ou seja, a qualidade do movimento. é preciso sempre estar concentrado e ligado na respiração e na precisão do olhar, que são elementos essenciais relacionados à expressividade da ação dramatica.
Claro que em apenas dois dias não chegaremos à conclusão de um trabalho de pesquisa e formação basica como esse. Mas ainda assim, como se trata de uma intervenção num trabalho que ja é realizado a longo prazo, tenho certeza que a pulga que ficou atras da orelha dos alunos-atores vai ser bem nutrida e cuidada pela Nara e pelo Juliano, que continuarão a guiar o caminho! Espero que esse reencontro tenha ajudado a dar uma renovada na dinâmica de trabalho antes do inicio desse novo processo de montagem...
Posso dizer que para mim foi um reencontro maravilhoso, divertido, produtivo e inesquecivel!!!

Um abraço apertado a todos os integrantes do PROCURANDO O RISO!!!!
Até a proxima!!!!

Mariana.





















0 comentários

Encenadores-pedagogos e Pedagogos-encenadores..




Caros leitores...


Hoje me peguei pensando novamente numa questão que de vez em quando reaparece no meu horizonte de reflexões sobre a pratica do teatro e a formação em teatro. Qual a importância do encenador para o pedagogo e qual a importância do pedagogo encenador?
Esta fronteira (que é bem mais uma linha pontilhada que uma linha cheia) me interessa principalmente em função da minha pesquisa para o mestrado. Estou pesquisando a vocação e a pratica pedagogica de Jacques Copeau, que é um bom exemplo de encenador que era pedagogo e pedagogo que era encenador. Como Stanislavski, foi ator durante muito tempo, encenador durante mais um longo periodo e depois passou a concentrar seus principais esforços na formação das novas gerações de atores. Ambos mantiveram suas carreiras de encenadores até o fim de seus dias, muito embora seu grande ideal fosse a criação, aplicação e sistematização de um novo método de formação de atores. Copeau na França, Stanislavski na Russia, ambos foram simbolo da luta por um novo teatro, baseado em principios muitas vezes comuns, como a negação do cabotinismo, a disciplina e a dedicação absolutas, a pesquisa e o trabalho de purificação constantes. Ambos começaram como atores e depois como encenadores de sucesso, seu desejo era fazer teatro. Mas logo eles descobriram que o teatro, sendo a arte do ator, não poderia jamais ser tudo que eles almejavam que fosse enquanto o ator não estivesse preparado para criar. Na virada para o seculo XX, os atores ainda eram meros interpretes. As peças eram montadas às centenas, rapidamente, apos um trabalho que se resumia ao estudo e à preparação da declamação do texto. Aos atores cabia o papel de dar ao texto as entonações indicadas e fazer as movimentações de palco necessarias. Claro que alguns atores, avidos por oferecer ao publico mais que uma simples forma vazia, pesquisavam seus papeis a fundo, se desafiavam a "encarnar" cada vez mais perfeitamente seus papéis, com o objetivo sincero de emocionar seu publico. Infelizmente, via de regra, estas exceções contavam apenas com seu proprio afinco e sua dedicação para atingirem seus objetivos. Faltavam-lhes dois elementos essenciais no desenvolvimento de uma tecnica: um mestre e um método de trabalho. Tanto Stanislavski quanto Copeau dedicaram sua vida a preencher estes dois vazios. Stanislsvski, sem duvida , obteve mais sucesso nesta empreitada. Apesar de Copeau ter escrito muito, provavelmente mais que Stanislavski, a maioria de seus escritos so foi reunida, organizada e publicada muitos anos apos sua morte. Stanislavski, ao contrario, teve poucos volumes publicados, porém estes foram publicados em vida e seu primeiro livro, MY LIFE IN ART (Minha vida na arte) foi publicado primeiramente em inglês, quando Stanislavski estava nos E.U.A, em 1923. Apesar da versão americana ser arduamente criticada pelos obvios problemas de tradução (Stanislavski ditou o livro em russo para sua assistente e um senhor russo chamado J.J. Robbins traduziu para o inglês, supostamente alterando expressões e editando partes do texto original), ela garantiu que a figura Stanislavski e, por consequência, suas pesquisas e teorias, ganhassem o mundo. O mesmo não aconteceu com os escritos de Copeau, que até hoje nunca foram publicados em português, por exemplo. Ainda assim, ambos concentraram suas inquietudes a respeito do oficio do ator, se dedicando à sistematização de um método. Cada um a sua maneira, -tendo como herança as tradições e culturas de seus respectivos paises, e considerando diferentes influências e confluências estéticas, - buscou realizar sua meta. Durante sua pratica de encenadores, acumularam lacunas a preencher, questões a responder e objetivos a perseguir. Depois, pesquisavam meios de resolver esses problemas tecnicos, experimentando metodos e exercicios com seus pupilos. O que sabiam enquanto encenadores alimentava suas buscas enquanto educadores e o que descobriam enquanto formadores alimentava suas criações enquanto encenadores. Como gênios que foram, partiram de um mesmo principio que é até hoje não somente valido, quanto em grande medida, inquestionavel: a criação teatral é obra maxima do ator. Na ausência de um ator preparado para a criação artistica, não ha fenômeno teatral autêntico que sobreviva.
E desta forma, enquanto nos depararmos com atores despreparados, abandonados às suas proprias formulas e clichés falidos, e sobretudo porque o aprendizado do oficio do palco nunca se esgota, o encenador ainda vai precisar do pedagogo. Mesmo que ele não confesse.


Mariana Schmitz

0 comentários

ATé ONDE A PESQUISA NOS LEVA?

[Primeiramente gostaria de pedir desculpas a todos os leitores do blog, pela ausência de certos acentos no meu texto. O que ocorre é que estou escrevendo este pequeno depoimento de um computador não brasileiro, que não possui em seu teclado certas ferramentas de acentuação. Mil desculpas a todos que ficarem confusos ao ler "esta", sem entender que se trata da conjugação do verbo estar!]

Como vocês ja sabem, caros leitores, este blog pertence a um Grupo de PESQUISA. Muitas vezes as pessoas reagem com estranhamento quando nos apresentamos assim. O que significa isso afinal? O que vale fazer parte de um Grupo de Pesquisa? De que adianta pesquisar em dias como hoje que a pratica por si so ja nem precisa de um minimo embasamento?

Acredito que esse nosso perfil esta intimamente relacionado com a nossa formação enquanto educadores. Quando eramos alunos (ainda somos alunos, na verdade), e somente "alunos", ja pensavamos como educadores. Na época seria arrogância dizer isso, mas hoje vejo que era isso que ocorria. Nunca estavamos satisfeitos com o que nos era oferecido em termos de formação acadêmica. Queriamos mais e melhor, sempre! Hoje me parece que, de certa forma, percebiamos que todos os blablablas seriam inuteis quando estivessemos frente a frente com os problemas e profundos questionamentos que o ato de ensinar implica.

E enquanto alunos, essa inquietação também se traduziu numa curiosidade teorica, numa necessidade de se buscar mais em termos de conhecimento cientifico. Investigar a fundo sobre a pratica artistica e sobre os problemas que nos afligiam, em nossos caminhos pessoais. Nossas pesquisas nasceram dessa primeira inquietação, desse primeiro "e se eu buscasse mais sobre essa questão?". Cada um a seu modo, em busca de sanar alguma curiosidade especifica, esta sempre à procura de novas respostas, de novas perspectivas acerca deste mesmo assunto que nos une....o ato de ensinar teatro.

E o que nos une enquanto grupo não é apenas o ato de ensinar em si, mas
justamente a necessidade de pensar o ato, de desmembra-lo, desdobra-lo, reve-lo, muda-lo, re-significa-lo constantemente. E para isso, temos como base a melhor de todas as bases: a relação entre suporte teorico e experiência pratica... Escrevo este texto num momento em que dois dos três membros do grupo se vêem mergulhadas no universo acadêmico dessa busca, uma terminando o mestrado (a Nara) e outra começando (eu mesma).

Não tecerei aqui comentarios sobre a experiência da minha colega de grupo, pois essa é uma experiência extremamente pessoal e tenho certeza que assim que possivel, ela deixara aqui seu depoimento também. Estou aqui para deixar o meu depoimento, o meu incentivo a todos e a todas que sentem também a nossa inquietação, essa necessidade de buscar mais...

Durante a graduação, me engajei num projeto de pesquisa, do qual fui bolsista por dois anos e do qual durante um ano ainda fui voluntaria. Este projeto, orientado pelo Prof. Dr. José Ronaldo Faleiro, se dedicava a pesquisar as muitas facetas da produção de um importante nome do Teatro Francês, um senhor chamado Jacques Copeau. Desde o principio me interessei pelo tema pois ja havia lido alguns textos que faziam referência a Copeau, textos que tratavam de temas que me instigavam. Uma vez no grupo, me debrucei sobre a questão da formação do ator, uma das heranças mais ricas deixadas por Copeau para o teatro do século XX e o meu maior interesse na area do teatro. Depois dos dois primeiros anos de pesquisa, muita leitura, catalogação, levantamento, organização e analise de dados, toda a minha produção foi reunida e sintetizada no meu Trabalho de Conclusão de Curso, defendido em 2006.

Mesmo tendo sentido que havia fializado aquela fase com a qualidade e a dedicação maximas possiveis, sabia que, de fato, minha formação ainda estava incompleta. Minha investigação ainda não estava acabada. E assim, me preparei e organizei durante um ano para fazer um mestrado que me permitisse uma busca ainda mais aprofundada sobre este mesmo tema, agora ainda acrescido de novas perspectivas e referências.

Lembro dos colegas e professores que riam ou torciam o nariz para a minha exigência durante a graduação... Lembro de ser alvo de comentarios irônicos e puxadas de tapete, por não ter nenhuma vergonha de exigir qualidade de ensino, de pesquisa e de orientação. Evidente que, esta mesma exigência sempre esteve presente em tudo que eu mesma fiz, pois nunca me contentei em produzir qualquer coisa, so para inglês ver. E apesar de ter sido mais dificil assim, e de ter despertado a ira de uns e a falta de escrupulos de outros, não me arrependo de ter sido exigente comigo e com o mundo, em nenhum momento. Querer mais me trouxe aqui, onde ninguém disse que eu chegaria...so os bons amigos de sempre!

E ca estou eu, prestes a iniciar um novo capitulo da minha formação... Um capitulo que sempre considerei necessario e que agora vou cosntruir, a todo custo, mas com a mesma exigência de sempre!

Por isso caros leitores, não se deixem esmorecer porque parece mais facil acomodar-se na mediocridade do não-saber! Se existe em vocês uma vontade de buscar, uma necessidade de ter e oferecer mais ao mundo, não se deixem contaminar por aqueles que preferem o conforto ao desafio! Desafiem-se! Mergulhem de cabeça nas perguntas... e cada problema trara uma nova questão, um novo sentido, um novo olhar sobre o mundo, e sobre você mesmo! Mãos à obra!


MARIANA SCHMITZ


1 comentários

O Espaço do Teatro na Escola - mãos à obra.


Uma das questões com a qual os professores de Teatro obrigatoriamnente se deparam ao chegar no mercado de trabalho é: que papel ocupa o ensino de Teatro dentro das escolas? Guardadas as devidas proporções, regionais, nacionais, municipais, nos deparamos, de maneira geral, com o mesmo problema. Via de regra, ou o espaço p/ esta atividade não existe, ou está sendo mal-aproveitado pela escola. Poucas são as exceções. A que se deve este fato? Será responsabilidade das escolas, mal-informadas sobre as possibilidades pedagógicas do teatro-educação? Será responsabilidade da Universidade do Estado, há tempos aquela que forma (ou de-forma) os professores desta área? Ou ainda dos profissionais da área, que criam espaços e não os aproveitam bem, ou nem procuram criá-los?
A meu ver, a justificativa é composta pelo somatório de todos os fatores acima citados. Um pouco de cada, em medidas diversas, afinal, cada caso é um caso. Mas com alguma coisa em comum..! Da parte das escolas, o que normalmente ouvimos são propostas descabidas ou sem embasamento nenhum, geralmente tratanto o ensino das Artes Cênicas (e muitas vezes das Artes em geral) como acessório das outras disciplinas, ou como uma parte da recreação e mais comumente ainda, como espaço para montagens de "pecinhas" ou "teatrinhos" para datas festivas do calendário escolar. Que professor ou professora de Teatro nunca se deparou com uma dessas três perspectivas acerca do seu trabalho? São assustadoramente raras as Escolas que não encaram de forma diminutiva o ensino das Artes Cênicas. Da mesma forma, encaramos outra realidade assustadora quando avaliamos a parte da Universidade do Estado neste processo. Tendo sido aluna recente deste estabecimento, posso afirmar: (agora com ainda mais convicção, uma vez que já estou no mercado de trabalho) lá, não encontramos o espaço e a orientação necessária para nos preparar para o mercado. Para quem já estudou lá, isso não é novidade, ainda que alguns poucos insistam em enfeitar o passado, confundindo experiências pessoais com experiências coletivas. O que acontece, na minha opinião é que não há unidade de ensino e particularmente no caso das disciplinas de estágio, a maioria dos educadores-em-formação é deixada à própria sorte. Quem tem sucesso em encontrar um campo frutífero para seus estágios, e além disso de encontrar um professor responsável para efetivamente orientá-lo, acaba tendo uma experiência formativa consistente e real. O restante acaba à deriva, sem orientação ou mesmo vivendo uma experiência traumática. A UDESC não vem cumprindo o seu papel no que diz respeito à preparação de seus alunos para o real mercado de trabalho da educação. Não auxilia os educandos a sistematizar uma metodologia aplicável de trabalho, e muito menos orienta no sentido de ampliar e fortalecer os laços entre escolas e universidade. E essa situação dá origem ao terceiro problema, que acredito estar intimamente ligado à escassez de espaços para o teatro-educação nas escolas. A performance dos profissionais da área. É necessário acrescentar aqui que é frequente encontrar nas escolas, professores não habilitados na área, ocupando a vaga de professor de artes-cênicas. E assim, surge uma contradição: se os habilitados pela UDESC estão mal-preparados, os que não são habilitados na área por universidade alguma, estão em uma situação ainda pior. É muito raro, para não dizer coisa pior, encontrar um trabalho consistente e estruturado, regido por professor não formado em Artes Cênicas. O mais comum é encontrar aberrações sem proporções, trabalhos que não valem nem comentários...processos que dimunuem a arte do teatro, que a reduzem a uma ginástica sem propósito, ou a uma récita de mal-gosto talvez. Novamente, o teatro-educação como acessório, como enfeite e/ou recreação.
Do outro lado da moeda está uma parte considerável dos professores habilitados que, perdidos em sua despreparação acadêmica, não encontram meios de estruturar seu trabalho, não dispõem das armas da argumentação e do discurso para enfrentar a reticência das direções de escolas e dos pais. Pode paracer exagero mas é preciso ser persuasivo, ou persuasiva, para convencer a comunidade escolar dos benefícios que uma disciplina curricular ou oficina extra-curricular de teatro pode oferecer a todos. É uma batalha diária! Trabalhar não só em sala de aula, mas fora dela, para decodificar dia-a-dia, propostas pedagógicas e resultados para quem desconhece o ofício, e, na maioria das vezes, nem frequenta os teatros. Esse diálogo, que deve ser constante, é o fertilizante desta complexa relação. É preciso re-significar o processo enquanto "colheita", e o produto enquanto consequência e/ou finalização de um aprendizado, meio e não fim em si.
Aqueles que restam, aos poucos vão adentrando a Escola, semeando o interesse e o respeito pelo Teatro enquanto linguagem autônoma e específica, que tem, por si só, muito a oferecer aqueles que lhe cederem tempo e dedicação.
Sem mais, convido a todos e todas: mãos à obra, há muito a se conquistar!!



Mariana Schmitz